Warfarina sódica com os dias contados? Novo anticoagulante oral sem a necessidade de monitorização com RNI…
Muitas vezes, é o médico que trabalha na emergência que inicia a anticoagulação oral para o tratamento de várias condições, por exemplo, trombose venosa profunda (TVP), embolia pulmonar (EP) , fibrilação atrial crônica etc. Isso significa prescrever uma das heparinas junto com a warfarina e a terrível necessidade de se monitorizar a terapêutica com coleta de exames de sangue (RNI).
No caso de EP, por exemplo, o paciente necessita ficar internado até que o RNI fique na faixa terapêutica (entre 2,0 e 3,0) durante dois dias consecutivos. Após a alta hospitalar, o paciente necessita colher sangue a cada 15-30 dias com o objetivo de monitorizar a terapêutica com warfarina.
Um excelente estudo foi publicado em dezembro de 2009 no New England Journal of Medicine (RE-COVER Study. Volume 361: 2342-2352; 2009 – www.nejm.org) e traz uma grande perspectiva de que a warfarina tenha seus dias contados.
O estudo avaliou a warfarina versus um novo anticoagulante oral (dabigatran; inibidor direto da trombina) no tratamento de 2.564 pacientes com TVP e/ou EP.
A medicação foi prescrita na dose de 150 mg, via oral, de 12 em 12 horas, sem a necessidade de qualquer coleta de sangue pra monitorizar a terapêutica com o dabigatran.
Após seis meses de seguimento, a taxa de morte ou de sangramento grave foi semelhante nos dois grupos.
No Brasil, infelizmente, prescrever warfarina traz um grande peso na consciência de nós médicos, por que os pacientes dificilmente conseguem colher exame e monitorizar o RNI na periodicidade recomendada e segura. Nós emergencistas, ficamos com o dilema:
1. prescrevo warfarina: o paciente não consegue consulta e nem coleta de sangue como recomendado. Daí ele volta à emergência com sangramento grave, muitas vezes, fatal.
2. não prescrevo warfarina por que ele não vai conseguir monitorizar. Daí ele volta com um novo episódio de TVP, EP ou mesmo acidente vascular cerebral isquêmico embólico.
Dessa forma, o maior resultado do estudo é que poderemos, num futuro muito próximo, indicar anticoagulação oral a longo prazo com uma medicação que não necessita de monitorização, permitindo que tenhamos noites mais tranquilas, sem peso na consciência, amenizando um pouco o sofrimento que os pacientes do SUS passam, todos os dias!.
Texto: Dr. Herlon Saraiva Martins
Médico Assistente do Pronto-Socorro do Hospital das Clínicas da FMUSP.












Isso seria ótimo, podendo beneficiar muitos pacientes, principalmente os citados acima. Na verdade o maior problema será relativo ao custo, caso seja um medicamento caro, pode justamente não beneficiar os pacientes que não conseguem monitorar corretamente seu RNI, por problemas também citados no texto (pelo menos inicialmente)
realmente esta droga é uma esperança para aumentarmos o número de anticoagulados e com certeza reduziremos o número pacientes com acidente vascular encefálico isquemico por fenômeno tromboembólico em portadores de fibrilação atrial crônica que hoje não são anticoagulados por medo e falta de estrutura para controle da anticoagulação oral