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Heparina de Baixo Peso Molecular Versus Meias de Compressão Elásticas na Profilaxia de Tromboembolia Venosa Após Artroscopia do Joelho

Comentado por: Herlon Saraiva Martins

Heparina de Baixo Peso Molecular Versus Meias de Compressão Elásticas para a Tromboprofilaxia Após Artroscopia do Joelho.

Camporese G, et al. Low-molecular-weight heparin versus compression stockings for thromboprophylaxis after knee arthroscopy: a randomized trial. Ann Intern Med 2008;149(2):73-82.

[Link Livre para o PubMed].

Fator de Impacto da Revista: 14,780

Contexto Clínico

Artroscopia do joelho é um procedimento realizado cada vez mais freqüentemente, na maioria das vezes, em sistema ambulatorial ou de hospital dia, sem a necessidade formal de internação hospitalar.

Como trombose venosa profunda (TVP) e embolia pulmonar (EP) são potenciais complicações de procedimentos ortopédicos e como os estudos prévios acerca do assunto foram de metodologias questionáveis, o autores conduziram o atual estudo.

O Estudo

Ensaio clínico randomizado, controlado, realizado em dois centros na Itália, não cegado (não mascarado), embora, a análise dos desfechos primárias tenha sido feita de forma cegada (mascarada) ao grupo alocado. Análise estatística com o teste bicaudado (alfa 0.05) e poder de 80% para detectar uma diferença nos desfechos primários.

Cerca de 1.761 pacientes foram submetidos à artroscopia do joelho e à seguir tratados em um dos três grupos:

Nadroparina (3.800 unidades anti-fator Xa) por 7 dias;

Nadroparina (3.800 unidades anti-fator Xa) por 14 dias;

Meias elásticas compressivas por 7 dias.

Desfechos primários: soma de TVP assintomática. TVP sintomática, EP e morte de todas as causas.

Resultados

Em relação à mortalidade, EP ou TVP sintomática, não houve qualquer diferença entre os grupos. Quando se soma TVP distal ou TVP assintomática, houve uma redução no grupo nadroparina (Tabela 1).

O comitê de segurança interrompeu o grupo nadroparina 14 dias relatando questões de segurança com o esquema 14 dias, embora, não haja elementos descritos no estudo que tenham justificado a atitude.

Tabela 1 – Desfechos Clínicos Primários no Grupo Meia Elástica Versus Nadroparina (7 dias).

Desfechos Meia Elástica (n=660) Nadroparina 7 dias (n=657) NNT (IC95%)
Morte 0 0 Não significativo
Embolia pulmonar 2 2 Não significativo
TVP assintomática ou distal 18 4 Não significativo
TVP proximal sintomática 1 0 Não significativo
Soma de Todos Acima 21 6 43 (25 a 143)

Aplicação para a Prática Clínica

Não deve haver qualquer mudança na prática clínica com o resultado desse estudo, ou seja, não há benefício na prescrição de 7 dias de heparina de baixo peso molecular após artroscopia do joelho, embora, o marketing da indústria afirme, com o estudo, que houve benefício.    A mensagem é que para um caso de “trombose venosa profunda ultrasonográfica”, um desfecho absolutamente questionável, se deve tratar até 143 pacientes (custo só com a nadroparina por paciente: R$: 202,93).

O mais importante nessa situação (artroscopia do joelho) continua sendo a deambulação precoce, se possível, com meias elásticas compressivas.

Dicas de Epidemiologia e de Medicina Baseada em Evidências

Valor p

O valor p é a probabilidade de que um desfecho qualquer tenha ocorrido ao acaso. O padrão científico é arbitrário e atribui um valor p menor que 1 em 20 (expresso como p<0.05, ou seja, equivalente a apostar uma chance de 20 para 1) como “estatisticamente significativo” e um valor de p menor que 1 em 100 (p<0.01) como “estatisticamente muito significativo”.

Entretanto, não basta olhar só o valor p pois a variação dos resultados pode ser muito ampla (intervalo de confiança muito amplo). Por outro lado, o “tamanho do intervalo de confiança” diz indiretamente o resultado do valor p com uma vantagem: a maior precisão na variação dos resultados.

Por exemplo, um estudo hipotético achou que o risco de IAM foi reduzido de forma significativa com uma nova droga, com valor p<0.05. Ou seja, estatisticamente significativo.

Vendo os resultados de outro ângulo, esse mesmo estudo hipotético mostrou que a nova droga reduziu a chance de IAM em 20% (grupo droga nova: 8% e grupo placebo: 10%). O intervalo de confiança da redução foi de 2-67%. Isso quer dizer que o benefício pode ter sido tão pequeno quanto 1,5% ou tão grande quanto 67% e se o estudo fosse repetido 100 vezes, os resultados poderiam estar entre 2 a 67%.

Ou seja, o intervalo de confiança expressa o mesmo significado do valor p, só que acrescido de uma maior “precisão” dos resultados.

Alguns autores até acham que o valor p deveria ser excluído quando o intervalo de confiança tiver sido descrito e que o valor p não poderia ser valorizado se o autor não descrever os intervalos de confiança.

Bibliografia:

  1. Geerts WH, Pineo GF, Heit JA; et al. Prevention of venous thromboembolism: the Seventh ACCP Conference on Antithrombotic and Thrombolytic Therapy. Chest. 2004;126(3)(suppl):338S-400S. [Link Livre para o Artigo].

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