14/07/11
Cápsulas repletas de cocaína.
Habitualmente são traficantes internacionais de drogas (“mulas”).
O maior risco é que uma dessas cápsulas se rompa no TGI, causando uma terrível síndrome catecolaminérgica.
Quadro clínico e exames complementares
• A intoxicação resulta em efeitos predominantemente no SNC e no sistema cardiovascular.
• Manifestações típicas incluem: náusea, vômitos, cefaleia, palpitações, ansiedade, nervosismo, agitação, confusão, delirium, fasciculações, hiperventilação, tremores, convulsões e coma.
• Taquiarritmias, hipertensão, SCA’s, dissecção de aorta, AVC e morte súbita
Tratamento
• O tratamento é de suporte. Se não indícios de ruptura de alguma cápsula, recomenda-se o polietilenoglicol oral (1 a 2 litros/hora) até que todas as cápsulas sejam evacuadas.
• Se há indícios de ruptura, o quadro é gravíssimo, avaliar a possibilidade de extração cirúrgica das cápsulas associado à:
– benzodiazepínico: é o agente de escolha, não só para ansiedade, agitação, convulsões, mas também para as síndromes coronarianas, taquicardia e para as emergências hipertensivas;
– nitroglicerina: associar em edema agudo de pulmão e nas síndromes coronarianas agudas;
– nitroprussiato de sódio: em algumas emergências hipertensivas, como AVC, dissecção aguda de aorta;
– lidocaína: antiarrítmico de eleição para TV.
Evite usar β-bloqueadores: aumentam o risco de delirium e convulsão e podem, paradoxalmente, piorar a vasoconstrição.
Texto: Dr. Herlon S Martins
Pronto-Socorro do Hospital das Clínicas da FMUSP
www.facebook.com/herlonsm
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