13/05/10
Olhe atentamente para os sulcos à esquerda e compare com o lado direito. Nesse último lado, praticamente os sulcos “sumiram”.
AVC deve ser suspeitado nos casos em que ocorra déficit neurológico, principalmente focal, de instalação súbita ou de rápida progressão (minutos a horas). A apresentação clínica depende da região cerebral comprometida. Nesse caso especificamente, devemos encontrar hemiparesia esquerda e heminegligência.
Não é comum cursar com cefaléia e não existe a necessidade da coleta do líquor.
O dado mais precioso nesse caso é o tempo do início dos sintomas. Caso tudo esteja pronto em até 4,5 horas do início dos sintomas, devemos trombolisar o paciente com t-PA (ativador do plasminogênio tecidual), sem heparina e sem aspirina nas primeiras 24 horas.
Caso o déficit seja de mais de 4,5 horas, devemos prescrever AAS, fornecer suporte clínico (de preferência numa unidade de AVC) e investigar o mecanismo do AVC (embólico? aterotrombótico?).
Quais exames são necessários à chegada no PS?
Quais são os passos do tratamento? Leia mais….
Devem ser colhidos à chegada e incluem: hemograma, glicemia, ureia, creatinina, sódio, cálcio, potássio, exames de coagulação, eletrocardiograma e radiografia de tórax. Outros exames poderão ser necessários de acordo com as circunstâncias clínicas (exemplos: suspeita de insuficiência hepática, doença pulmonar etc.).
É essencial realizar um exame de neuroimagem: a tomografia de crânio ainda é o exame mais utilizado, por causa de sua alta disponibilidade e menor custo. Nele, o AVCI aparece como uma área hipoatenuante. Contudo, a tomografia de crânio realizada nas primeiras horas após o início dos sintomas do AVCI é negativa em aproximadamente 30% dos casos, permanecendo negativa nas primeiras 24 horas em até 50% dos casos.
Discretas alterações tomográficas como um leve apagamento de sulcos cerebrais, uma tênue hipoatenuação nos núcleos da base e o sinal da artéria cerebral média hiperdensa podem ser observadas nas primeiras horas. Áreas hipoatenuantes maiores que um terço do território de irrigação da artéria cerebral média observadas nas primeiras seis horas do AVCI podem estar relacionadas a infartos extensos e devem ser consideradas no momento da decisão terapêutica.
Sendo uma emergência médica, atrasos no início das medidas terapêuticas podem determinar prejuízo no prognóstico funcional desses doentes. É fundamental, portanto, que tais doentes tenham prioridade no atendimento inicial, na realização de exames, na realização dos exames por imagem, na definição das medidas terapêuticas e no rápido cumprimento das prescrições e monitoramento necessário.
Quais são os passos do tratamento?
- Suporte clínico: medidas universais de suporte de vida avançado. O atendimento inicial deve avaliar a função respiratória e cardiovascular. Exames laboratoriais para análises bioquímicas, hematológicas e da coagulação devem ser prontamente obtidos.
- Tratamento específico: trombólise com t-PA se < 4,5 horas e não houver contra-indicação.
- Prevenção e tratamento de complicações neurológicas (edema, transformação hemorrágica e convulsões) e não-neurológicas (aspiração, pneumonia, escaras, trombose venosa profunda e tromboembolismo pulmonar).
- Instituição precoce de uma profilaxia secundária, baseada no mecanismo fisiopatológico determinante do AVCI. Em geral, é feito com AAS (300 mg), exceto, se a causa for embólica (daí, indica-se anticoagulação plena).
- Início precoce de reabilitação.
Dr. Herlon Saraiva Martins
Vice-Presidente da Abramede
Médico do Pronto-Socorro do Hospital das Clínicas da FMUSP













obrigado dr herlon,esses casos clinicos estao sendo de grande valia para o meu conhecimento na clinica medica,juntamente com o curso de emergencias clinicas,ja que estou no quarto ano.