ABRAMEDE - Associação Brasileira de Medicina de Emergência

Área do associado

Caso clínico 5 – ABRAMEDE

Homem de 52 anos, previamente hígido, procura assistência médica com dor torácica à direita há dois dias, associada à dispnéia e que piora à inspiração. Nega qualquer doença prévia, tabagismo, etilismo, cirurgia prévia ou uso de qualquer medicação.

Exame físico:

  • Peso estimado: 80 kg;
  • Pressão arterial: 130 x 80 mmHg, pulso: 116 bpm, temperatura: 36,9ºC, freqüência respiratória: 24 ipm, saturação arterial de oxigênio: 89%;
  • Ausculta cardíaca: normal;
  • Ausculta pulmonar: redução do murmúrio vesicular em base de pulmão direito;
  • Extremidades: sem edema.

Exames complementares:

  • Gasometria arterial e mar ambiente: pH: 7,46; PaCO2: 35 mmHg; PaO2: 61 mmHg.
  • Radiografia de tórax: a seguir.
  • Eletrocardiograma: a seguir.

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(Clique sobre a pergunta para ver a resposta comentada)

A) Dê o diagnóstico da radiografia.

Elevação de cúpula direita e atelectasias laminares na base do pulmão direito. São sinais indiretos de embolia pulmonar (EP). Lembre-se que EP pode ocorrer com RX e ECG absolutamente normais.

B) Dê o diagnóstico do ECG.

Sinusal, com atraso final de condução (no ramo direito), desvio do eixo para direita e padrão S1-Q3-T3 (S1: onda S na derivação I proeminente; Q3: onda Q na derivação III; T3: inversão de onda T em DIII).

C) Qual a principal e mais importante hipótese diagnóstica?

A história clínica (dor torácica pleurítica, relativamente súbita, sem febre, tosse) + taquipnéia, hipoxemia, Rx com elevação de cúpula, atelectasias laminares e ECG típico de EP (desvio do eixo para direita, padrão S1-Q3-T3) tornam a embolia a mais forte hipótese diagnóstica.

D) Descreva qual(is) exame(s) complementar(es) para o diagnóstico é(são)  necessário(s).

Seqüência diagnóstica correta:

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Não esquecer:
Todos os pacientes com suspeita de embolia pulmonar devem ser avaliados com escores de
probabilidade antes de solicitar exames complementares (D-dímeros, mapeamento V/Q, tomografia,
ressonância, doppler ou arteriografia). Isso irá refinar a probabilidade pós-teste e a razão
de verossimilhança (Likelihood Ratio). Recomendam-se os escores de Wells ou de Genebra modificado

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Comentários (10)

  1. 11/05/2010 às 09:54
    #1 Noelson Vieira Zamproni

    Rx mostra á direita uma elevação da cúpula diafragmática(Sinal de Humpton) sugestivo de embolia pulmonar
    B. O ECG mostra uma onda S alongada em D1 e um Q3
    C.Embolia pulmonar
    D.Angiotomografia

  2. 11/05/2010 às 10:45
    #2 Roberto José Ferreira Calheiros

    . quadro clínico, laboratorial, radiológico e eletrocardiográfico típicos.
    . TEP com estabilidade hemodinâmica.
    . de acordo com os escores de probabilidade, se enquadraria em risco intermediário.
    . sem fatores de risco tradicionais para TEV na história, trombofilia primária aos 52 anos?
    . caso TVP deveríamos pesquisar neoplasia?
    . Muito bom para o nosso tirocínio e discussão. Parabéns.

  3. 11/05/2010 às 16:18
    #3 Luiz Carlos Maciel Nunes

    Parabéns,bela abordagem. Gostaria de ver tbém o tratamento abordado

  4. 11/05/2010 às 17:55
    #4 Ítalo Dálisson

    Parabéns pelo caso. Aguardamos o próximo.

  5. 11/05/2010 às 19:20
    #5 Aloysio Braga Landim

    Aumento da area cardiaca c/elvação da cupula diagragmatica a dir:- imagens numulares em base com infiltrados ate a região hilar correspondente. Condensação.Até esta descrição compativel com TEP.
    Ao exame fisico se há hepatomegalia e qto do apendice xifoide e do rebordo costal dir:para afastar o diagnostico de Sindrome de Budd-Chiari. Neoplsia ?

  6. 11/05/2010 às 21:55
    #6 Diego Dalcamini

    Parabéns pelo caso! Muito bem orientado. Fecharia de modo excelente com o tratamento.

  7. 14/05/2010 às 10:15
    #7 Gladston Batista

    Quadro clinico de supeição bem chamativo de TEP
    Principalmente no que caracteriza a elevaçao da cupula diafragmatica a direita(Sinal de Humpton)como dito preveamnte.
    Parabens belo caso.

  8. 17/05/2010 às 16:18
    #8 Bruno Figueiredo

    Pessoal , é bem importante quem trabalha em emergências lembrar que aquele quadro típico de TEP descrito em tratados : dispnéia súbita , dor pleurítica e hemoptise só ocorre em 10-15% dos casos, o restante é dispnéia a esclarecer.. Sinal de hampton: sou muito realista , habitualmente só classifico como tal depois da angioCT.
    Mas lanço um desafio para os colegas :
    1- 52 anos sem fatores de risco prévios. O que causou o TEP ? trombofilia? Neoplasia oculta ? Como investigar ? Lembro que esta resposta é fundamental para o plano terapeutico .
    2- Como tratar? Não está hipotenso mas está hipoxêmico… Se o ECO mostrar dilatação VD , fariam trombolítico ?
    Vamos aquecer a discussão ! Abraços

  9. 20/05/2010 às 00:51
    #9 Tarcylio Esdras

    Vale comentar que não é muito fácil ver o S1-Q3-T3 no ecg neh…. mas eh um belo caso

  10. 08/06/2010 às 17:55
    #10 Juan Carlos Monasterio

    TEP. sem fatores de riscos prévios ? O que causou o TEP?
    ECG e Rx de Torax maravilhosos. Fez trombolise ? parabens.

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